Em automação industrial, a inovação só gera valor quando funciona no mundo real. É na…

Como agentes autônomos de IA estão redefinindo processos de negócios
A inteligência artificial está entrando em uma nova fase. Depois da automação de tarefas repetitivas, dos algoritmos preditivos e dos modelos generativos, surge agora um terceiro movimento: os agentes autônomos de IA, sistemas capazes de tomar decisões, executar ações, aprender com feedback e coordenar processos de ponta a ponta com mínima intervenção humana.
De acordo com o estudo “The Rise of Collaborative Automation: How Autonomous AI Agents Are Redefining Business Processes” da Deloitte, sobre a próxima geração de automação, esses agentes representam uma virada estrutural na maneira como as empresas organizam operações, tomam decisões e criam valor. Eles deixam de ser ferramentas pontuais e passam a atuar como entidades inteligentes que navegam por processos, sistemas e dados para conduzir fluxos inteiros de trabalho.
Ao olhar especificamente para a indústria, o relatório “Intelligent Manufacturing: A blueprint for creating value through AI-driven transformation”, da KPMG, reforça a mesma tendência: 67% dos líderes industriais já utilizam agentic AI, e 91% dizem confiar em decisões autônomas em processos específicos, evidenciando que o setor produtivo está na linha de frente dessa transformação.
Na prática, a combinação dos dois estudos mostra que os agentes autônomos não são apenas uma evolução tecnológica, são o alicerce da próxima etapa da Indústria 4.0: um modelo de manufatura inteligente, conectada e autônoma.
O que são agentes autônomos e por que eles importam agora
A Deloitte define agentes autônomos de IA como sistemas capazes de:
- interpretar metas e restrições de um processo,
- tomar decisões com base em dados em tempo real,
- executar tarefas em múltiplos sistemas,
- ajustar estratégias conforme aprendem,
- coordenar outros agentes, sistemas e workflows.
Eles não apenas automatizam tarefas: eles orquestram processos. Segundo a Deloitte, essa nova arquitetura permite que organizações repensem operações críticas como:
- atendimento e relacionamento com clientes,
- supply chain e logística,
- operações financeiras,
- backoffice administrativo,
- modelagem de riscos,
- desenvolvimento de produtos e serviços.
O potencial é enorme: ao retirar o peso da execução humana em tarefas analíticas, repetitivas ou transacionais, a IA passa a desbloquear produtividade, velocidade e precisão com um grau de autonomia nunca antes disponível.
Como a indústria está aplicando agentes autônomos de IA
Na fábrica, esse poder já se traduz em uma mudança estrutural. A KPMG mostra que a adoção industrial de IA está acelerando:
- 96% das organizações já registram ganhos de eficiência com IA.
- 45% relatam benefícios financeiros mensuráveis.
- 62% obtiveram ROI acima de 10% diretamente ligado a projetos de IA.
- 77% planejam aumentar investimentos em IA nos próximos 12 meses.
E quando olhamos para os agentes autônomos especificamente, algumas transformações ganham destaque:
Linhas de produção autônomas
Agentes monitoram, ajustam e otimizam parâmetros de máquinas em tempo real, reduzindo defeitos e aumentando rendimento.
Supply chains auto-otimizadas
Eles analisam centenas de indicadores simultâneos (demanda, preços de commodities, restrições logísticas, clima, geopolítica) para ajustar compras, negociar com fornecedores e replanejar estoques de forma autônoma.
Manutenção preditiva avançada
Digitais twins alimentados por agentes simulam desgaste, preveem falhas e chegam a acionar pedidos automáticos de peças de reposição.
Fábricas adaptativas
Linhas se reconfiguram em minutos, permitindo personalização em massa e ciclos de produção extremamente ágeis.
Sustentabilidade operacional
Agentes otimizam energia, reduzem desperdícios, equilibram cargas de máquinas e monitoram emissões em tempo real.
A convergência é clara: a agentic AI está acelerando a transição para fábricas mais inteligentes, resilientes e autônomas.
Quando duas visões se encontram: a lógica da autonomia aplicada à manufatura
Enquanto a Deloitte mostra que agentes autônomos já estão reorganizando processos de negócio, a KPMG revela que a infraestrutura da manufatura — conectada, sensorizada e baseada em dados — é o ambiente ideal para esses agentes florescerem.
A união dos dois estudos revela três tendências estruturais:
Tendência 1: a indústria será o maior laboratório de agentes autônomos
Ambientes industriais são:
- ricos em dados,
- altamente estruturados,
- repletos de processos repetitivos,
- dependentes de decisão em tempo real.
Isso cria o cenário perfeito para agentes operarem com impacto imediato.
Tendência 2: o futuro da indústria será operado por sistemas autoajustáveis
Como mostra a KPMG, a manufatura está entrando na fase “Embed → Evolve”, quando IA deixa de ser ferramenta e vira arquitetura central de produção: linhas, robôs, supply chains e sistemas passam a trabalhar em fluxo contínuo, com decisões distribuídas entre máquinas, sistemas e humanos.
Tendência 3: o papel das pessoas muda: menos execução, mais supervisão e estratégia
A Deloitte reforça que agentes assumem tarefas operacionais, liberando colaboradores para:
- análise crítica,
- design de processos,
- tomada de decisão estratégica,
- inovação.
É um modelo de equipes híbridas: humanos + agentes + robôs colaborativos.
Os desafios reais e como superá-los
Ambas as pesquisas convergem para quatro grandes barreiras:
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Fragmentação de dados
KPMG mostra que silos de R&D, produção e campo impedem loops de feedback.
Deloitte reforça que os agentes exigem dados integrados e atualizados.
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Legados tecnológicos
Ambas destacam que sistemas antigos dificultam integração e escalabilidade.
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Skills e cultura
40% das empresas reportam resistência e falta de habilidades (KPMG).
Deloitte aponta que organizações subestimam a necessidade de redesenhar processos.
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Governança e confiança
A IA precisa ser explicável, auditável, segura e compatível, especialmente em ambientes industriais.
Recomendações práticas para a indústria
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Comece por fluxos com impacto direto (Deloitte + KPMG)
Manutenção, qualidade, planejamento e cadeia de suprimentos são as áreas com maior retorno.
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Construa um ecossistema de dados integrado (KPMG)
Closed-loop entre engenharia, chão de fábrica e campo.
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Use agentes como “copilotos operacionais” (Deloitte)
Em vez de substituição direta, comece com automação assistida.
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Modernize progressivamente sua infraestrutura (KPMG)
Edge computing + 5G privado + digital twins + OT/IT integrado.
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Prepare as pessoas (Deloitte + KPMG)
Treinamento, clareza de papéis, envolvimento desde o início.
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Institua governança de IA (ambos)
Privacidade, segurança, explicabilidade e auditoria contínua.
O que este movimento significa para o futuro da manufatura
Os dois estudos mostram um caminho inevitável:
- A manufatura está se tornando um sistema vivo, capaz de aprender e se adaptar.
- Os agentes autônomos serão a “cola” que integra máquinas, sistemas, dados e pessoas.
- As fábricas do futuro serão autônomas, eficientes, conectadas e sustentáveis.
- A vantagem competitiva virá de quem conseguir orquestrar esse ecossistema.
Na Pollux, já vemos esse futuro ganhar forma diariamente. Ao integrar robótica avançada, visão computacional, IA, gêmeos digitais, software industrial e soluções turnkey, nossas equipes estão ajudando clientes a:
- reduzir custos operacionais,
- aumentar a produtividade,
- acelerar ciclos de engenharia,
- melhorar a qualidade,
- reduzir emissões,
- e preparar o chão de fábrica para um modelo cada vez mais autônomo.
A automação deixa de ser elemento pontual e passa a ser arquitetura central de produção e a Pollux tem papel direto em tornar essa visão uma realidade dentro das fábricas. A nova fase da indústria será construída pela soma entre inteligência humana e inteligência de máquina.
Conclusão: uma oportunidade para empresas industriais
A união entre os achados da Deloitte e da KPMG deixa claro: os agentes autônomos de IA não são mais um experimento, são o motor da reinvenção dos processos de negócios e da transformação da manufatura global. Para as empresas industriais, trata-se de uma oportunidade única: adotar um modelo de produção mais inteligente, ágil e eficiente, capaz de aprender, ajustar-se e evoluir continuamente.
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Sobre a Pollux
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