Depois de entender, nos conteúdos anteriores da série, como a robótica já está presente na…

Automation Fair 2025: tendências que revelam o futuro da automação industrial
Promovida pela Rockwell Automation, a Automation Fair é uma das feiras mais relevantes do mundo quando o assunto é automação industrial, reunindo milhares de engenheiros, especialistas, integradores e líderes da indústria para discutir tecnologias, aplicações práticas e os próximos passos da transformação digital nas fábricas.
Na edição de 2025, que ocorreu no final do ano, o evento apresentou mais de 30 lançamentos em hardware, software e serviços industriais, além de reforçar um movimento que já vinha se consolidando nos últimos anos: a automação está cada vez mais orientada por dados, conectividade e inteligência, mas sem abrir mão da robustez e da engenharia que sustentam a produção das fábricas.
Com o tema “Create What’s Next” (“Crie o que vem a seguir” em livre tradução), a feira destacou soluções voltadas à construção de sistemas mais resilientes, modulares e sustentáveis, capazes de simplificar operações e acelerar a tomada de decisão industrial. Entre os principais tópicos debatidos estiveram a aplicação prática da inteligência artificial na manufatura, o avanço do edge computing industrial como elo entre OT (tecnologia operacional) e IT (tecnologia da informação), a evolução da visão computacional com IA, além da integração mais madura entre automação, software e serviços.
Representando a Pollux na Automation Fair 2025, Gian Almeida, gerente de engenharia de automação e especialista em sistemas de controle, robótica industrial e visão computacional, acompanhou de perto essas discussões e os lançamentos apresentados. A partir dessa vivência, Gian compartilha uma leitura técnica e pragmática sobre o que realmente faz diferença para a indústria, especialmente para projetos de automação complexos, integrados e orientados à Indústria 4.0.
Na entrevista a seguir, ele comenta quais tecnologias apresentadas na feira têm aplicação imediata para o perfil de clientes da Pollux, como a IA industrial vem sendo adotada de forma mais realista na operação, o papel crescente do edge computing na integração entre sistemas industriais e corporativos, além dos principais desafios — técnicos, culturais e de governança — que ainda impactam a adoção dessas soluções.
Mais do que apontar tendências, a conversa reforça um ponto central: a tecnologia está cada vez mais madura, mas o diferencial continua sendo a engenharia bem executada, capaz de transformar inovação em resultados concretos para a indústria.
Quais das novas tecnologias apresentadas na Automation Fair você considera mais disruptivas para o perfil de clientes da Pollux e por quê?
Entre os lançamentos vistos na Automation Fair 2025, três tecnologias se destacam pela aplicabilidade imediata e pela capacidade de tornar projetos mais simples, consistentes e escaláveis, especialmente na manufatura discreta: FTOptix, OptixEdge e FactoryTalk Analytics VisionAI.
O FTOptix, junto com seu ecossistema, evoluiu significativamente na criação de interfaces, no uso de modelagem orientada a objetos e na integração direta com dados de processo. Para OEMs e integradores, isso representa menos retrabalho entre HMI, SCADA e soluções de IIoT, um caminho natural diante da convergência que já acontece no mercado.
O OptixEdge cumpre um papel estratégico como camada de normalização e preparo de dados, permitindo arquiteturas mais modulares e distribuídas. Ele acompanha um movimento claro do setor em direção a soluções que organizam melhor a integração entre os mundos de OT e IT, reduzindo a complexidade e aumentando a governança.
Já o FactoryTalk Analytics VisionAI avança ao simplificar o uso de visão computacional com inteligência artificial. Embora não substitua o trabalho de engenharia na preparação das imagens, ele reduz significativamente o esforço inicial em tarefas de inspeção e classificação, além de adicionar uma camada analítica importante para apoiar a tomada de decisão.
Você percebeu um avanço na adoção de inteligência artificial na operação industrial? Quais aplicações chamaram mais atenção?
Sim, o avanço na adoção de IA na operação industrial ficou bastante evidente, principalmente nos casos em que há retorno rápido e processos com alta repetibilidade. Esse progresso aparece de forma muito prática em três frentes principais.
Na visão computacional aplicada à qualidade, os fluxos de treinamento se tornaram mais simples, rápidos e assertivos. Isso facilita o trabalho das equipes de engenharia e reduz o tempo necessário para validar a solução diretamente na linha de produção.
Na manutenção assistida por IA, como nas soluções associadas ao Fiix, há um avanço consistente no uso de algoritmos para priorização automática de ordens de serviço, além de recomendações baseadas em problemas recorrentes observados em equipamentos similares.
De forma geral, a IA ainda não substitui as arquiteturas tradicionais de controle industrial, mas já atua como um acelerador importante, apoiando decisões operacionais, enriquecendo análises e gerando impacto rápido justamente nas áreas mais críticas da operação.
Em termos de integração entre o chão de fábrica e os sistemas de gestão, o que mudou ou se consolidou nesta edição da feira?
Se houve um tema que realmente ganhou força na Automation Fair 2025, foi a integração inteligente entre o chão de fábrica e os sistemas corporativos. Essa conexão sempre foi um desafio para a indústria, mas o que se observou agora é um movimento claro de consolidação de arquiteturas mais organizadas e sustentáveis.
A principal mudança está no papel do edge device.
Ele deixou de ser apenas um “dispositivo de borda” e passou a funcionar como uma verdadeira camada de orquestração de dados. Em vez de conectar diretamente sensores, CLPs e robôs a sistemas como MES, ERP ou plataformas de manutenção, a arquitetura que se consolida segue uma lógica mais estruturada: os dados são tratados, normalizados e contextualizados no edge antes de subir para os níveis superiores.
Essa abordagem reduz ruído, diminui retrabalho e oferece muito mais controle sobre quais informações realmente são relevantes para a tomada de decisão. É uma tendência que não depende de um único fornecedor, mas responde a uma necessidade do setor como um todo: escalar a digitalização sem criar uma teia de integrações personalizadas difíceis de manter.
Quais foram as principais barreiras apontadas para a migração da automação tradicional para soluções com IA e digitalização?
O primeiro grande ponto é a qualidade dos dados. Sem informações estruturadas, consistentes e contextualizadas, qualquer aplicação, desde dashboards simples até modelos avançados de IA, perde confiabilidade. Essa preocupação apareceu com frequência nas conversas com fornecedores e usuários: a tecnologia existe, mas o “combustível” ainda chega incompleto ou desorganizado.
Outro entrave relevante é a governança entre IT e OT. À medida que os sistemas se tornam mais conectados, surgem questões práticas importantes: quem mantém os modelos? Quem controla o acesso aos dados? Quem define padrões de nomenclatura e estrutura? A falta de clareza nessas fronteiras pode atrasar iniciativas e gerar retrabalho.
Além disso, adotar IA ou digitalização não significa apenas instalar novas ferramentas. Trata-se de mudar rotinas, responsabilidades e mentalidades. Muitas equipes ainda estão construindo confiança nessas tecnologias, o que exige tempo, capacitação e uma comunicação interna bem estruturada. Esses elementos ajudam a explicar por que vemos tecnologias maduras e promissoras, mas um ritmo de adoção que varia bastante entre empresas e setores.
Para projetos complexos, com robôs, IA, digital twins e integração total, já existem soluções “prontas para uso”?
Ainda não existe uma solução única que integre automaticamente robótica, IA, digital twins e sistemas corporativos. No entanto, a feira mostrou que vários blocos tecnológicos já estão maduros o suficiente para uso imediato, desde que acompanhados por um trabalho sólido de engenharia.
Ferramentas de simulação como o Emulate3D, por exemplo, estão cada vez mais próximas do comportamento real das plantas e ajudam a antecipar problemas, reduzir riscos e acelerar comissionamentos, mas ainda exigem modelagem cuidadosa e conhecimento profundo de processo.
O edge computing também se consolidou como uma camada estável de integração, capaz de organizar dados e entregá-los aos sistemas corporativos de forma estruturada. Ainda assim, ele depende de uma arquitetura bem desenhada, curadoria de dados e padronização entre plantas.
Em resumo, a tecnologia está pronta, mas não é “plug-and-play”. O que mudou é que hoje existe uma base muito mais estável e madura para construir projetos avançados com mais previsibilidade e menos risco, desde que exista engenharia bem executada por trás.
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Sobre a Pollux
A Pollux Automation, fundada em 1996, é uma multinacional brasileira com mais de mil projetos de automação e Indústria 4.0 nas Américas. Entregamos soluções turnkey que integram robótica, visão, IA, gêmeos digitais, software e AMRs para aumentar produtividade e eficiência. Reconhecida por Endeavor, EY, CNI, GPTW e premiada pela Finep, a empresa tornou-se independente novamente em setembro de 2025, mantendo parceria estratégica com a Accenture.




