A nova indústria de alimentos: tendências e desafios da manufatura do futuro

28/05/2026 • Indústria de alimentos

A indústria de alimentos vive uma transformação acelerada. Pressionadas por mais eficiência, flexibilidade operacional, rastreabilidade, escassez de mão de obra e aumento da complexidade produtiva, as fábricas começam a incorporar uma nova geração de tecnologias capazes de integrar automação, inteligência artificial, robótica e dados em tempo real para aumentar competitividade e produtividade.

Foi para discutir esse cenário que a Pollux Automation reuniu, nos dias 14 e 15 de maio, lideranças industriais, especialistas e parceiros globais no evento exclusivo “The New Food Industry”, realizado no Ágora Tech Park e na fábrica da Pollux, em Joinville (SC). Os executivos também participaram de uma Wine Experience, em um ambiente pensado para aproximar pessoas, ideias e experiências.

Durante dois dias de imersão estratégica, o evento conectou tendências globais observadas na Hannover Messe – maior feira industrial do mundo – às aplicações práticas já em desenvolvimento na indústria brasileira. A programação reuniu painéis, demonstrações técnicas, debates, showcase tecnológico e visita à operação da Pollux, com participação de parceiros como Festo, Siemens, Dobot Robotics, P&P Optica e Instituto Senai de Innovation.

Mais do que apresentar tecnologias, o encontro trouxe uma discussão aprofundada sobre os novos desafios operacionais da manufatura e o papel da automação integrada na construção de fábricas mais inteligentes, resilientes e adaptáveis. O evento também foi palco para a apresentação da nova diretoria da Pollux, reforçando o novo ciclo da empresa.

A indústria de alimentos entrou em uma nova fase operacional

A abertura do evento foi conduzida pelo CEO da empresa, Flavio Hahn, que apresentou o legado dos 30 anos da Pollux no mercado e ressaltou a importância da proximidade com os clientes para buscar de forma conjunta soluções para os desafios desta nova fase da indústria de alimentos. 

O diretor Comercial, José Rizzo Hahn, destacou o momento estratégico vivido pela indústria de alimentos no Brasil. Um setor, que movimenta mais de R$ 1,3 trilhão ao ano, representa cerca de 10,9% do PIB brasileiro e emprega mais de 2 milhões de pessoas, tornou-se uma das maiores plataformas industriais do país. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios cada vez mais complexos para manter eficiência operacional, qualidade e competitividade.

Na apresentação “A nova indústria de alimentos: eficiência, flexibilidade e inteligência operacional”, Rizzo destacou que o cenário atual exige uma mudança profunda na forma como as fábricas são concebidas e operadas. “A nova eficiência é sistêmica. A produtividade não está apenas na velocidade da máquina. Está na redução de micro paradas, retrabalho, perdas, esperas entre processos, variabilidade operacional e decisões tomadas sem dados”, afirmou.

Segundo ele, o setor vive um paradoxo: enquanto cresce e amplia sua relevância econômica, operar tornou-se significativamente mais difícil. Mais SKUs, lotes menores, pressão por customização, aumento das exigências de rastreabilidade, necessidade de lançamentos mais rápidos e escassez de mão de obra passaram a exigir fábricas muito mais flexíveis e integradas.

“Flexibilidade virou vantagem competitiva. A fábrica rígida foi desenhada para estabilidade. A fábrica flexível é desenhada para adaptação”, explicou Rizzo. A proposta apresentada pela Pollux para essa nova etapa da manufatura passa pela integração entre automação flexível, intralogística conectada, qualidade em tempo real, dados industriais integrados e decisão assistida por inteligência artificial.

IA industrial, integração e conectividade ganham espaço nas fábricas

Outro tema central do evento foi a evolução da inteligência artificial aplicada às fábricas. As discussões mostraram que a IA industrial vai começa a deixar de ser apenas uma ferramenta de análise para se tornar parte ativa das operações, apoiando decisões em tempo real, antecipando falhas, detectando anomalias e aumentando eficiência operacional.

No painel “Physical AI e o futuro da manufatura”, representantes da Festo e da Siemens compartilharam tendências observadas na Hannover Messe e discutiram como a convergência entre automação, dados e IA vem transformando a manufatura global.

Para Renato Biondo, diretor Comercial da Festo para a América do Sul e Central, uma das principais mudanças da indústria nos últimos anos foi a necessidade de conectar tecnologias e integrar diferentes sistemas operacionais. “Hoje a grande dificuldade é que existem diversos fabricantes no mercado. E você precisa ter uma automação unificada, capaz de identificar anomalias e falhas em diferentes tecnologias. A grande vantagem é conseguir ter múltiplos fornecedores se comunicando entre si”, afirmou.

Ele também chamou atenção para outro desafio crítico da transformação industrial: a velocidade da evolução tecnológica frente à capacidade de adaptação das pessoas. “A tecnologia hoje está muito mais rápida do que nossa capacidade de aprender. Não adianta ter soluções novas se as pessoas não estiverem preparadas para essa mudança”, destacou.

Diego Cadete, diretor de Negócios da Siemens Brasil, reforçou que a indústria começa a abandonar uma visão focada apenas em máquinas isoladas para adotar uma lógica mais ampla de inteligência operacional integrada. “Saímos da condição de olhar tecnologia aplicada apenas à máquina para olhar um contexto maior. O digital precisa gerar contexto, valor e produtividade para a operação”, afirmou.

Segundo ele, um dos grandes movimentos atuais da manufatura é a integração entre o mundo físico e o digital, combinando dados, simulações e automação para otimizar operações produtivas, logísticas e de manutenção.

O Brasil ainda possui uma enorme janela de oportunidade em automação

Outro tema recorrente ao longo do evento foi o atraso histórico da indústria brasileira em densidade robótica e como isso representa, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade de crescimento. Dados apresentados, com base no relatório World Robotics 2025, mostram que o mundo instalou cerca de 542 mil robôs industriais em 2024, sendo 74% dessas instalações concentradas na Ásia e mais de 54% apenas na China. 

Enquanto isso, o Brasil possui cerca de 16 robôs para cada 10 mil trabalhadores na manufatura – uma das menores densidades robóticas entre grandes economias industriais. No setor automotivo brasileiro, esse número sobe para 148 robôs por 10 mil empregados.

“A defasagem brasileira é, simultaneamente, a maior oportunidade competitiva do setor”, destacou Rizzo durante a apresentação. Segundo ele, a indústria de alimentos brasileira ainda possui forte dependência de processos manuais, o que amplia o potencial de transformação por meio da automação e da robótica.

O que os líderes industriais apontaram como prioridade para o futuro

Um momento bastante rico do encontro foi o debate interativo realizado com os participantes do evento. A dinâmica reuniu respostas de lideranças da indústria sobre desafios operacionais, prioridades tecnológicas e perspectivas para os próximos anos.

Entre os principais desafios apontados pelas empresas estiveram:

  • escassez de mão de obra;
  • eficiência operacional;
  • retrabalho;
  • qualidade;
  • produtividade;
  • logística e processos.

Quando questionados sobre as maiores perdas operacionais atuais, os participantes destacaram: paradas de linha, retrabalho e troca de produto e setup. Já sobre o impacto da inteligência artificial na indústria nos próximos cinco anos, os principais temas citados foram: controle de processos, qualidade e inspeção, intralogística e planejamento operacional.

A dinâmica também mostrou que flexibilidade, automação, integração, inteligência e dados em tempo real aparecem entre os principais diferenciais competitivos esperados para as fábricas líderes até 2030.

Outro insight relevante foi a percepção de que a transformação industrial depende cada vez mais da colaboração entre diferentes atores do ecossistema. Integração, conectividade, trabalho colaborativo, IA aplicada e aceleração tecnológica apareceram entre os principais aprendizados destacados pelos participantes ao final do primeiro dia do evento.

Ecossistemas tecnológicos e colaboração aceleram a transformação industrial

Além dos painéis principais, o evento contou com apresentações de empresas parceiras que vêm desenvolvendo tecnologias aplicadas à nova indústria. A canadense P&P Optica apresentou soluções avançadas de inspeção industrial baseadas em inteligência artificial e imageamento hiperespectral voltadas à segurança alimentar e detecção de contaminantes.

Já a DOBOT trouxe uma visão sobre a nova geração da robótica colaborativa e o avanço dos ecossistemas tecnológicos chineses voltados à automação industrial. Os temas apresentados pelas duas empresas serão aprofundados em conteúdos futuros no blog da Pollux.

O evento também contou com a participação do Instituto Senai de Innovation, que apresentou iniciativas ligadas ao Centro Tecnológico de Robótica e destacou o papel da capacitação profissional para preparar a indústria brasileira para esse novo cenário tecnológico. “O desafio não é apenas tecnológico. É também preparar pessoas e acelerar a maturidade da indústria para operar nesse novo cenário”, destacou Ismael Secco, gerente de operações de Innovation.

O grupo também conheceu o Ágora Tech Park, um hub de inovação e tecnologia localizado em Joinville (SC), projetado para conectar empresas, startups, universidades e o setor público. Ele funciona como um ecossistema que apoia empreendedores desde a fase de ideia até a consolidação no mercado e fica dentro do Perini Business Park – maior condomínio empresarial multissetorial da América do Sul – onde está a sede da Pollux no Brasil.

A transformação industrial já começou

O segundo dia do evento foi realizado na fábrica da Pollux, com visita técnica, demonstrações de tecnologias aplicadas, laboratórios de parceiros e mesas de negociação. Ao longo do encontro, uma mensagem se repetiu entre especialistas, parceiros e lideranças industriais: a transformação da manufatura já começou e ela será cada vez mais integrada, flexível, conectada e orientada por inteligência operacional.

Mais do que adotar novas tecnologias, o desafio agora passa por transformar dados, automação e inteligência artificial em ganhos reais de produtividade, qualidade, eficiência e competitividade. “A vantagem não estará em ter mais tecnologia. Estará em transformar tecnologia em performance antes dos concorrentes”, resumiu Rizzo durante o evento.

Assista ao vídeo completo do evento:

Os temas discutidos durante o evento também deram origem a uma série de conteúdos exclusivos produzidos pela Pollux sobre os desafios e tendências da indústria de alimentos. Confira:

Para acompanhar as transformações que estão moldando o futuro da indústria, continue lendo o nosso blog e fique por dentro das novidades.

About a Pollux

A Pollux Automation, fundada em 1996, é uma multinacional brasileira com mais de mil projetos de automação e Indústria 4.0 nas Américas. Entregamos soluções turnkey que integram robótica, visão, IA, gêmeos digitais, software e AMRs para aumentar produtividade e eficiência. Reconhecida por Endeavor, EY, CNI, GPTW e premiada pela Finep, a empresa tornou-se independente novamente em setembro de 2025, mantendo parceria estratégica com a Accenture.

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