Da automação à performance: o novo papel da engenharia industrial

02/09/2026 • Automação industrial

Durante décadas, um dos principais indicadores de sucesso de um projeto de engenharia e automação industrial era relativamente simples: a máquina ou a linha entrar em operação e funcionar conforme o planejado. À medida que as fábricas se tornaram mais complexas e conectadas e as exigências sobre a industry aumentaram, essa lógica deixou de ser suficiente.

A produtividade continua sendo fundamental, mas agora precisa caminhar ao lado de flexibilidade, disponibilidade, qualidade, eficiência no uso de recursos, segurança e capacidade de adaptação. Ao mesmo tempo, as industrys enfrentam escassez de mão de obra operacional, ciclos de innovation mais rápidos e a necessidade de incorporar novas tecnologias sem perder eficiência ou elevar excessivamente a complexidade das operações.

Esse novo cenário também está redefinindo o papel da engenharia industrial. “A transformação aconteceu quando a industry percebeu que produtividade isolada não garante competitividade sustentável”, afirma André Zanatta, diretor de Engineering da Pollux. “O sucesso deixou de ser medido pela máquina funcionando e passou a ser medido pela capacidade da operação de gerar resultados consistentes e sustentáveis ao longo de toda a sua vida útil.”

A engenharia industrial vive uma mudança silenciosa

Por trás das novas tecnologias que chegam ao chão de fábrica existe uma transformação menos visível: a engenharia está assumindo uma visão cada vez mais sistêmica da operação. 

Projetar uma solução já não significa apenas especificar equipamentos, definir processos e colocá-los em funcionamento. Significa compreender como diferentes tecnologias, sistemas, dados e pessoas podem trabalhar de forma integrada para alcançar os objetivos do negócio.

Na avaliação de Zanatta, essa mudança também está relacionada ao conceito de performance sustentável. O desafio passa a ser desenvolver operações capazes de produzir mais e melhor, utilizar os recursos de maneira mais eficiente e, ao mesmo tempo, oferecer ambientes mais seguros e atrativos para as pessoas.

A escassez de profissionais para determinadas funções operacionais acrescenta outra camada a essa equação. A engenharia precisa considerar desde a concepção como manter produtividade, continuidade e segurança mesmo em cenários de menor disponibilidade de mão de obra.

O problema não é automatizar. É gerar performance.

Robôs, AMRs, visão computacional, inteligência artificial, sensores e softwares industriais estão cada vez mais disponíveis. Mas ter acesso à tecnologia não significa necessariamente gerar vantagem competitiva. Zanatta resume essa diferença em um princípio utilizado pela Pollux: “Apaixone-se pelo problema, não pela tecnologia.”

Quando a decisão começa pela tecnologia, existe o risco de procurar aplicações que justifiquem sua adoção. Quando começa pelo problema, o caminho se inverte: primeiro é preciso entender o que impede a operação de alcançar melhores resultados para, então, identificar as tecnologias capazes de solucionar esse desafio.

Isso ganha ainda mais relevância porque diferentes empresas podem acessar praticamente os mesmos fornecedores, robôs, sensores, softwares e modelos de inteligência artificial. O diferencial está na maneira como esses recursos são combinados. “Uma operação de alta performance é aquela em que robótica, automação, visão computacional, sistemas corporativos, logística interna, inteligência artificial e pessoas operam como um único sistema”, explica Zanatta.

Essa visão encontra respaldo em análises recentes da McKinsey. Em pesquisa com mais de 100 executivos de operações de grandes fabricantes, a consultoria identificou que muitas organizações já adotam ferramentas digitais, mas ainda enfrentam dificuldades para integrá-las e escalá-las. Apenas 2% dos entrevistados afirmaram ter a IA totalmente incorporada às operações. A análise aponta infraestrutura de IT/OT, dados, capacitação das pessoas e integração como fatores essenciais para transformar investimentos tecnológicos em resultados sustentáveis.

O novo papel da engenharia industrial

Nesse cenário, a engenharia assume uma função que começa antes da definição da tecnologia. O primeiro passo é compreender profundamente a operação: onde estão os gargalos, quais são as restrições do processo, quais indicadores precisam melhorar e quais objetivos estratégicos a empresa pretende alcançar.

“Antes de propor qualquer arquitetura técnica, buscamos entender o contexto operacional, os gargalos reais do processo, as restrições existentes, os indicadores críticos do negócio e os objetivos estratégicos da organização”, explica Zanatta.

Só depois desse diagnóstico começa a definição da solução. E nem sempre a resposta será uma tecnologia mais sofisticada. Dependendo do desafio, pode envolver robótica avançada, mas também revisão de layout, mudança de fluxo, integração de sistemas ou novas formas de organizar a operação.

A engenharia passa, portanto, a exercer uma função de tradução: transformar um desafio de negócio em uma solução técnica capaz de gerar resultados mensuráveis.

Ao mesmo tempo, precisa pensar beyond da necessidade imediata. Uma solução industrial terá de continuar funcionando diante de novos produtos, mudanças de volume, evolução tecnológica e novas exigências de mercado. Robustez, modularidade, escalabilidade, integração e possibilidade de atualização passam a fazer parte da equação desde o projeto.

O que diferencia projetos de alta performance

A experiência acumulada em projetos de diferentes segmentos mostra que as empresas que conseguem extrair maior valor da automação compartilham algumas características.

Uma delas é enxergar a automação como parte de uma estratégia de transformação operacional, e não como simples aquisição de equipamentos. São organizações que também investem em padronização, integração entre áreas, capacitação das pessoas, gestão de dados e melhoria contínua. 

Essa visão amplia inclusive a maneira de avaliar o investimento. O menor custo inicial nem sempre representa a solução mais competitiva no longo prazo. Sistemas que não consideram robustez, documentação, escalabilidade, suporte e evolução tecnológica podem atender uma necessidade imediata, mas perder desempenho ou exigir novos investimentos com o passar dos anos.

Por isso, o custo total de propriedade e a capacidade de geração de valor durante a vida útil da solução tornam-se critérios importantes na decisão. A McKinsey chega a uma conclusão semelhante ao analisar sistemas produtivos mais avançados: empresas que conseguem sustentar ganhos conectam dados, tecnologia, desenvolvimento das pessoas e rotinas de melhoria contínua, criando ciclos em que informações sobre performance se transformam rapidamente em ações na operação. O diferencial não está em uma tecnologia isolada, mas na capacidade de transformar aprendizado em melhoria contínua.

Engineering industrial de alta performance na prática

Na prática, essa nova engenharia aparece quando o projeto deixa de resolver somente o problema de hoje e começa a considerar também o que acontecerá amanhã.

Uma industry pode precisar aumentar a capacidade produtiva, por exemplo. A resposta não necessariamente será adicionar uma nova máquina. A engenharia pode identificar gargalos no fluxo, redesenhar etapas, integrar equipamentos existentes, automatizar movimentações ou utilizar dados para melhorar a utilização dos ativos.

Em outro cenário, uma empresa pode precisar produzir maior variedade de produtos sem multiplicar linhas e equipamentos. O desafio passa a ser desenvolver uma arquitetura flexível, capaz de absorver diferentes SKUs, mudanças de volume e futuras expansões.

Também é nesse contexto que tecnologias como inteligência artificial e IA Física ganham relevância. Sistemas capazes de perceber o ambiente, interpretar informações e interagir com equipamentos e processos em tempo real ampliarão as possibilidades de automação. Mas também aumentarão a necessidade de integração.

Para Zanatta, esse movimento exigirá profissionais capazes de transitar entre diferentes disciplinas. Mecânica, elétrica, automação, software, ciência de dados e inteligência artificial estarão cada vez mais conectadas.

Engineering para transformar tecnologia em resultado

Quanto mais tecnologias chegam às fábricas, mais importante se torna a capacidade de decidir onde, como e por que utilizá-las. A engenharia industrial caminha, portanto, para um papel cada vez menos associado à simples implementação de equipamentos e cada vez mais relacionado à construção de sistemas produtivos capazes de aprender, evoluir e manter performance ao longo do tempo.

Nesse cenário, competências como arquitetura de sistemas, integração multidisciplinar, engenharia de dados, modelagem digital, gestão de riscos e tomada de decisão baseada em evidências tendem a ganhar espaço.

Mas a essência permanece. “A tecnologia continuará evoluindo rapidamente. O papel da engenharia continuará sendo dar propósito, direção e resultado para essa evolução”, resume Zanatta.

O futuro da engenharia industrial não será medido pelo número de equipamentos instalados, mas pela capacidade de integrar tecnologias, pessoas e dados para transformar desafios produtivos em desempenho sustentável para o negócio.

About a Pollux

A Pollux Automation, fundada em 1996, é uma multinacional brasileira com mais de mil projetos de automação e Indústria 4.0 nas Américas. Entregamos soluções turnkey que integram robótica, visão, IA, gêmeos digitais, software e AMRs para aumentar produtividade e eficiência. Reconhecida por Endeavor, EY, CNI, GPTW e premiada pela Finep, a empresa tornou-se independente novamente em setembro de 2025, mantendo parceria estratégica com a Accenture.

« IA Física: por que o… Pollux Connect discute IA Física… »