A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de pessoas e empresas. Agora, uma nova etapa dessa transformação começa a ganhar espaço na industria: a inteligência deixa de atuar apenas no ambiente digital e passa a chegar também a máquinas, robôs e outros equipamentos capazes de interagir com o mundo físico.
Foi diante desse movimento — e das decisões que ele começa a exigir das empresas — que a Pollux reuniu executivos dos setores de bens de consumo e farmacêutico, especialistas e parceiros tecnológicos no Pollux Connect, em Joinville, nos dias 19 e 20 de agosto. O encontro combinou conexão, conteúdo, debate, troca de experiências e demonstrações práticas para discutir a IA Física e outras tecnologias que começam a redesenhar a manufatura.
Para José Rizzo Hahn Filho, fundador e chairman da Pollux, o momento não poderia ser mais apropriado para colocar o tema em discussão. “Todo mundo já se adaptou ao que chamamos de IA generativa. Na vida pessoal e profissional, as pessoas estão usando ChatGPT, Claude, Gemini. Agora essa inteligência chega também aos equipamentos e aos robôs. Isso vai revolucionar a forma como a manufatura acontece.”
Mais do que apresentar novas tecnologias, a proposta foi aproximar diferentes perspectivas para ajudar os executivos a compreenderem o estágio atual dessa transformação, distinguir movimentos concretos de expectativas ainda distantes da realidad e refletir sobre como suas empresas devem se preparar.
“A gente quer passar uma visão bastante realista do momento que estamos vivendo. Daí a preocupação de separar o que é hype do que é realidad, porque é um movimento que está acontecendo de forma muito rápida”, afirma Rizzo.
Conexões para construir os próximos passos da industria
O próprio nome do encontro sintetiza uma das premissas que orientaram sua realização. Para a Pollux, responder às transformações em curso na manufatura exige aproximar quem conhece profundamente os processos industriais de quem desenvolve, integra e aplica novas tecnologias.
“O Pollux Connect é um evento desenhado para gerar conexões entre nossos clientes, nossos parceiros tecnológicos e a Pollux”, explica Flávio Hahn, CEO da Pollux.
Segundo ele, essa colaboração é fundamental para transformar avanços tecnológicos em resultados concretos dentro das fábricas. “Nada é feito de forma isolada. Para levar a industria a um novo nível de produtividade e competitividade, precisamos de todo esse ecossistema trabalhando em conjunto.”
Essa construção em parceria também atravessa a trajetória da Pollux. Yves Lima, gerente de Vendas da Rockwell Automation, lembrou que a relação entre as duas empresas remonta ao início da Pollux, há três décadas. “Nós estamos com a Pollux desde o começo da empresa. Hoje, vemos com muita felicidade esse relacionamento dos últimos 30 anos e de forma muito promissora a evolução dos negócios que vamos ter com a Pollux nos próximos anos.”
A Rockwell Automation participou do Pollux Connect ao lado de outros parceiros que integram o ecossistema tecnológico reunido para discutir os próximos movimentos da manufatura. Essa necessidade de construção conjunta também foi destacada por Renate Fuchs, diretora de Supply Chain & Engineering da Accenture. Para ela, a dimensão da transformação exige colocar diferentes competências em torno da mesma discussão.
“A transformação através da IA Física é tão forte que requer que grandes empresas que entendem de tecnologia, de transformação e de implantação de hardware estejam juntas à mesa para debater como isso vai afetar as fábricas e também os centros de distribuição.”
Da automação à autonomia
Durante o encontro, representantes da Accenture, Rockwell Automation, Boston Dynamics e AiTEN Robotics trouxeram diferentes perspectivas sobre a evolução da manufatura, passando por IA Física, conectividade, dados, robótica avançada, robôs móveis autônomos e humanoides.
Sem se limitar a discutir possibilidades futuras, a programação procurou mostrar o estágio atual dessas tecnologias, aplicações que já começam a chegar à industria e os desafios que ainda precisam ser superados para ampliar sua adoção. Renate sintetizou uma das principais mudanças em curso como a passagem da automação para a autonomia. “A gente sai da automação da industria para a autonomia, onde os robôs e as máquinas podem perceber o ambiente e tomar suas próprias decisões.”
Para Cristiano Bonanno, diretor Brasil da Rockwell Automation, essa evolução também passa por ampliar a capacidade das empresas de extrair valor de estruturas e investimentos que já existem. “A manufatura está sempre se reinventando. Dados e inteligência já são capturados há muito tempo. Agora, o desafio é tornar esse acesso mais customizado e extrair mais benefícios dos investimentos que a industria vem fazendo, sempre buscando uma industria mais conectada”, afirma.
O olhar internacional também esteve presente. Fernando Urquizu, diretor de Operações da AiTEN Robotics, destacou o potencial que a empresa enxerga no mercado brasileiro, especialmente diante da força de sua base industrial e do setor automotivo. “O mercado brasileiro é enorme. É um país com mais de 200 milhões de pessoas, com muitas empresas, e o setor automotivo é muito forte. Acreditamos que nosso desenvolvimento no Brasil será incrível.”
Parceira da Pollux no país, a AiTEN levou ao encontro sua experiência com robôs móveis autônomos. Para Urquizu, eventos como o Pollux Connect também são uma oportunidade de aproximar quem desenvolve tecnologia de quem enfrenta os desafios da operação. “Podemos nos comunicar com vários clientes-chave e obter o feedback deles sobre quais são as tendências da intralogística e o que é mais relevante hoje na industria de robôs móveis.”
Desafios que já estão dentro das fábricas
Se as presentaciones ajudaram a olhar para o que vem pela frente, os executivos presentes no Pollux Connect mostraram que muitas das razões para acompanhar essa transformação já fazem parte da realidad das operações.
Escassez de mão de obra, necessidade de elevar produtividade, competitividade, segurança e dificuldade de automatizar determinadas atividades apareceram entre os desafios associados à busca por novas soluções. Para Henrique Bispo, gerente executivo de Excelência Operacional da Piracanjuba, olhar para as novas tecnologias significa conectá-las a necessidades que a industria já enfrenta.
“Estar aqui é uma grande oportunidade para conectar as necessidades que temos dentro da industria e dos processos industriais com o que vamos precisar no futuro, seja pela escassez de mão de obra ou pelos desafios de aumento de produtividade e competitividade.”
Para ele, o contexto amplia a urgência dessa discussão. “Nós temos uma necessidade comum, não mais só uma questão de competitividade, mas uma questão de sobrevivência em um mercado tão competitivo. Estarmos todos juntos pensando em um propósito só, para mim, é o grande diferencial.”
Felipe Cauhy Rodrigues, head de Ingeniería Latam da Natura, também vê nas novas tecnologias possibilidades para enfrentar limitações que permanecem sem uma resposta adequada na automação convencional.
“Algumas tecnologias da IA Física vêm para destravar problemas que estão parados há muito tempo na nossa industria, problemas que a automação tradicional hoje não consegue resolver ou consegue resolver a um custo muito alto ou com uma complexidade muito grande.”
A experiência, segundo ele, ajudou a ampliar as possibilidades a serem exploradas pela empresa. “Hoje foi muito importante para abrir a cabeça para essas novas soluções. Estamos saindo daqui com muitas ideias, muitas coisas que queremos explorar.”
Trocar experiências também faz parte da transformação
As discussões entre os próprios executivos foram outro componente da programação. Além das presentaciones, o Pollux Connect abriu espaço para que profissionais de diferentes empresas e segmentos comparassem experiências, dificuldades e caminhos já percorridos.
Para Felipe, essa foi uma das principais contribuições do encontro. “Foi muito importante essa combinação de ter as empresas apresentando as soluções e também ter os nossos pares da industria para discutir o que cada um está fazendo, quais são as dificuldades em comum, o que está dando certo e o que não está. São raras as oportunidades que temos de estar junto com pares de diferentes segmentos, que têm diferentes desafios.”
Marcelo Vitorino dos Santos, diretor de Ingeniería da Givaudan, também destacou a experiência de contato com outras empresas e com os parceiros tecnológicos presentes. “A integração e a conexão com pessoas de outras industrias, não somente com a Pollux, mas com todos os participantes, estão sendo muito importantes. Os parceiros que a Pollux trouxe apresentaram coisas que eu não imaginava e que estão me fazendo conhecer muito mais sobre o tema e pensar em como essas tecnologias podem fazer parte do futuro de la industria em que trabalho.”
Tecnologia para ver funcionando
No período da tarde, as discussões saíram das presentaciones e ganharam uma dimensão prática. Os participantes conheceram espaços da Pollux e acompanharam demonstrações de tecnologias, entre elas aplicações de robótica avançada e equipamentos autônomos. Para Iury Durães, analista de Projetos de Automação da Eurofarma, a experiência permitiu fazer uma associação direta entre o que estava sendo apresentado e desafios encontrados no ambiente industrial.
“Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a área de testes da Pollux. Ali há vários exemplos de possíveis soluções e, para alguns problemas que temos na industria, eu já consegui enxergar aplicações, inclusive relacionadas à segurança.”
A programação também aproximou os participantes do ecossistema de innovación de Joinville, com uma visita ao Ágora Tech Park, ambiente do qual a Pollux faz parte e que reúne empresas, universidade e outros atores ligados ao desenvolvimento tecnológico. Durante a visita, a startup de tecnologia Noctua realizou uma demonstração de sua solução para inspeção industrial, que utiliza veículos autônomos equipados com visão computacional.
A conexão com esse ecossistema foi destacada por Henrique Bispo como uma oportunidade para ampliar o acesso ao conhecimento e avançar no desenvolvimento de novos projetos.
Um movimento que exige atenção agora
Ao reunir diferentes visões sobre a mesma transformação, o Pollux Connect deixou uma mensagem comum: embora muitas das tecnologias discutidas ainda estejam em diferentes estágios de maturidade e adoção, as mudanças já começaram — e acompanhar sua evolução passa a fazer parte das decisões estratégicas da industria.
Para Rizzo, um dos objetivos do encontro foi justamente fazer com que os executivos voltassem às suas empresas preparados para colocar essa discussão em suas agendas. “O objetivo é despertar esse senso de urgência. Não estamos falando de uma coisa que pode ser completamente ignorada, porque vai realmente mudar a forma como a manufatura funciona.”
Após completar três décadas de atuação, a Pollux vê essa discussão como uma continuidade do papel que vem desempenhando desde sua criação: acompanhar a evolução da tecnologia, compreender os desafios da industria e transformar novas possibilidades em aplicações concretas.
“A Pollux segue fazendo o mesmo papel dos últimos 30 anos, que é tornar realidad prática essas tecnologias emergentes que vão chegando”, afirma Rizzo. “Sempre foi nosso papel estar muito próximos, de um lado, da industria e dos clientes e, ao mesmo tempo, conectados às empresas líderes de tecnologia, para termos esse olhar um pouco mais à frente, de futuro.”
Uma atuação que, diante da nova fronteira tecnológica, ganha um novo capítulo. “A Pollux entra tornando realidad, como no passado com a Indústria 4.0 e agora com a IA Física.”
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Sobre nosotros a Pollux
A Pollux Automation, fundada em 1996, é uma multinacional brasileira com mais de mil projetos de automação e Indústria 4.0 nas Américas. Entregamos soluções turnkey que integram robótica, visão, IA, gêmeos digitais, software e AMRs para aumentar produtividade e eficiência. Reconhecida por Endeavor, EY, CNI, GPTW e premiada pela Finep, a empresa tornou-se independente novamente em setembro de 2025, mantendo parceria estratégica com a Accenture.





























